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Uma Breve História dos Moto Clubes Americanos"
por William L.
Dulaney
“A TRADUÇÃO ORIGINAL E OUTRAS
EXPLICAÇÕES”
Ao iniciar a tradução utilizamos
o termo "Outlaw Motorcycle Clubs" na sua designação mais
natural, ou seja, moto clubes “fora da lei”, no entanto,
como o termo foi usado pelo autor no sentido conotativo,
simplesmente definindo “fora da lei” como aqueles moto
clubes que não faziam parte da AMA, preferir manter o termo
na língua de origem. O principal motivo dessa decisão foi
evitar com que pedaços do texto traduzido se espalhassem
pela internet sem a devida menção da fonte (coisa comum na
rede) e fossem mal interpretados, servindo de argumento para
que alguns “informados” começassem a comentar que os moto
clubes americanos iniciaram-se pela irmandade de homens fora
da lei.
Nesta nova versão, achamos por bem trocar o termo "Outlaw
Motorcycle Clubs" por uma expressão mais comum no Brasil, ou
seja, "Moto Clubes de Tradição". Assim, acreditamos estar
deixando o texto em sintonia com a realidade brasileira.
Tenham que esta tradução foi feita no intuito
de trazer um pouco da história dos moto clubes americanos e
o porquê das muitas peculiaridades dos mesmos.
Oportunamente, pretendemos escrever sobre a diferença dos
moto clubes brasileiros em relação aos americanos e qual a
nossa vantagem em relação a isso.
Por fim, esta tradução foi feita de forma
livre e o tradutor não se responsabiliza por erros que
eventualmente tenham ocorridos (procuramos ser fiel à idéia
do autor tanto quanto o possível, no entanto, não nos
mantivemos fiel ao
(texto
ipse literes). |
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“O surgimento dos
Moto Clubes de Tradição e as primeiras aventuras sobre duas
rodas....”
Provavelmente o primeiro moto clube que
apareceu após a grande depressão e que se mantem vivo até
hoje é o Cook Outlaws M.C. (1936).
Esse grupo era
radicado em Cook, cidade de Illinois e mantinha seu
território até Chicago. O Cook Outlaws M.C. tornou-se mais
tarde o Chicago Outlaws MC e hoje é conhecido como
Outlaws Motorcycle Club ou Outlaws MC.
De acordo com um membro dos Outlaws MC, na
estrada a mais de vinte e cinco anos, os integrantes mais
antigos da sua organização reunião-se para fazer grandes
viagens. Em uma época em que as embreagens eram acionadas
pelos pés e as estradas eram extremamente ruins, essas
excussões eram verdadeiras aventuras sobre duas rodas. Em
alguns trechos era necessário escalar montes e percorrer
trilhas lisas com ½ km de distância ou ainda se equilibrar
em trilhas ovais sobre placas de madeira. Um aspecto
secundário dos motociclistas era o consumo maciço de álcool
e a devassidão amigável, que era geral.
O símbolo dos Outlaws M.C. era gravado na
parte detrás dos coletes e consistia simplesmente no nome do
clube; as vestes e os revestimentos de couro, assim como o
escudo e símbolos de cada facção não existiam no princípio.
É interessante notar que de acordo com o site do Outlaws
M.C., o logotipo do moto clube (isto é “Charlie,” um crânio
centrados sobre dois pistões e bielas cruzadas, similares a
bandeira do pirata Jolly Roger) foi influenciado pelo
vestuário do filme The Wild One, estrelado por Marlon Brando
em 1954.
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“O Moto Clube mais antigo....”
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Em um universo basicamente masculino, é um moto clube
feminino chamado Motormaids que mantêm o título
de moto clube mais antigo (mais de 60 anos) de acordo a American
Motorcyclist Association Club – AMA a
(associação concedeu sua carta patente de moto clube mais
antigo em 1940). O Outlaw M.C. reivindicou uma linhagem
ligeiramente mais longa, no entanto, como este realizou pelo
menos duas modificações em seu nome no decorrer do tempo,
não conseguiu lograr êxito. As
Motormaids M.C. mantiveram uma identidade singular e uma estrutura
hierárquica interna igual desde seu início.
Por este motivo é o clube de motocicleta mais
velho do mundo, mais velho inclusive que o clube
mundialmente famoso Hells Angels M.C. que
teve origem em 1947. |
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“O fim da II Guerra e o surgimento de uma nova filosofia para os
Moto Clubes...”
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O ataque japonês a Pearl Harbor que levou ao
envolvimento dos EUA na segunda guerra e o conseqüente
alistamento compulsório de jovens fez desacelerar o
crescimento dos moto clubes no país, contudo, o som das
bombas japonesas que explodiram em Pearl Harbor podia
significar qualquer coisa, menos a morte dos moto clubes, na
verdade, ocorreu exatamente o contrário.
Com o fim de Segunda guerra mundial milhares
de jovens regressaram para casa. Alguns combatentes haviam
sido treinados para guiar motocicletas em plena guerra,
especificamente Harleys e Indians. Outros, que não haviam
trabalhado diretamente com motocicletas, eram levadas a
andar nas mesmas para aliviar a pressão do conflito armado.
Por fim, dificilmente se encontraria algum soldado americano
que tenha participado da 2ª Guerra que não tenha guiado uma
motocicleta.
Um ponto é interessante destacar. Os homens
que participavam de um pelotão, fossem eles fuzileiros
navais, infantaria, reconhecimento etc. eram disciplinados a
cuidar do seu parceiro do início ao fim dos combates. As
constantes incursões de guerra altamente fatigantes
desenvolveram um alto nível da interdependência nos membros
de um pelotão. Durante os combates reais vivenciaram a morte
lado a lado, bem como o gosto por matar o inimigo, entre
outras atrocidades. Neste campo de vida e morte os homens
transformaram-se em irmãos e muitos veteranos da 2ª guerra
trouxeram esta irmandade para a vida civil.
Muitos desses soldados não conseguiram
suportar a transição do ambiente de guerra para a monotonia
da existência civil, buscando,assim, outra forma de viver. |
“O Stress Pós
Traumático e a formação psicológica dos motociclistas
americanos...”
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Ao regressarem da guerra, os combatentes foram
aposentados e se afundaram na bebida em uma tentativa
desesperada de afogar as memórias da batalha, buscando curar
de qualquer forma as cicatrizes do conflito armado.
Eles buscavam
a todo custo se sentirem humanos. É importante considerar as
idades destes homens: a idade média dos recrutas era de 26
anos. Muitos combatentes, ao retornarem, relataram
sentimentos de descontrole e inquietação; suas
personalidades anteriores à guerra tinham sido mudadas para
sempre. Estes homens apresentavam variados graus de stress
pós-traumático (PTSD). Esta desordem
psicológica só foi diagnosticada oficialmente a partir da
década de 1980. O centro nacional para a o stress
pós-traumático define a desordem como:
“Uma
desordem psiquiátrica que pode ocorrer após uma experiência
ou ao testemunho de eventos traumáticos, tais como combate
das forças armadas, desastres
naturais, incidentes terroristas, acidentes sérios,
assaltos pessoais violentos e estupros. As pessoas que
sofrem de PTSD frequentemente revive a experiência com
pesadelo e flash back, têm a dificuldade para dormir e
sentem-se destacados ou distantes das outras pessoas. Estes
sintomas podem se tornar graves impedindo o cotidiano da
pessoa afetada”.
Os
pesquisadores encontraram em alguns veteranos de guerra
efeitos relevantes do PTSD. Estes se envolveram atividades
pessoais e de lazer que foge dos padrões comuns, tais como o
motociclismo. Assim, parece lógico que os horrores da guerra
e o inferno do combate podem ter modificado as
personalidades pré-guerra destes homens para sempre. Foi
construída uma nova personalidade que não cabe bem com a
cultura do americano “normal”.
Não deve ser surpresa nenhuma que quando
estes homens retornaram a vida cotidiana e recomeçaram seus
trabalhos batendo ponto, vestindo ternos, fazendo
relatórios, batendo martelos ou consertando automóveis, logo
começaram procurar atividades de “lazer” que lançasse
adrenalina em altas doses no corpo. Assim, os veteranos
passaram a buscar os efeitos residuais de suas experiências
do tempo de guerra procurando antigos companheiros que
pudesse trazer o espírito de irmandade e talvez reviver
alguns dos aspectos sociais mais selvagens da época da
guerra. Logo as motocicletas americanas transformaram-se
parte desta equação. Primeiro, devido ao nível elevado de
adrenalina que as mesmas proporcionavam. Segundo, devido à
característica anti-social e a imponência que as motos
possuíam. |
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“O incidente de Hollister e a formação dos Outlaw Motorcycle
Clubs...” |
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O período de formação parece alcançar seu auge com o
incidente de Hollister, Califórnia, em 4 de julho
de 1947. Esse episódio, que foi objetivo de reportagem pela
Revista Life, misturado ao novo perfil dos motociclistas foi
a mistura ideal para que os moto clubes não ligados a AMA
emergissem.
Como declarado acima, apenas aos membros da
AMA que recebiam o certificado de moto clube era permitido
competir. Sendo assim, o mundo de competição era um fator de
formação e difusão de moto clubes. A AMA era responsável
pela regras relativas aos seus membros, à segurança das
corridas, bem como pela imagem familiar que os eventos
necessitavam para venda de ingressos. |
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Aparentemente, em 4 de julho de 2007 uma falha de
organização ocorreu dentro da AMA e deu causa a um pequeno
incidente em Hollister, Califórnia. Neste fim de
semana em particular, ocorreu o encontro de vários clubes da
motocicleta, incluindo Pissed Off Bastards of Bloomington (POBOB)
e os
Boozefighters Motorcycle Clubs, todos atraídos pelas
corridas anuais que a AMA promovia por todo os EUA. Como
estes eventos eram considerados de primeira linha, levavam
uma legião de motociclistas, membros de moto clubes ou não.
Naquele dia uma mistura de álcool e adrenalina resultou em
incidente inusitado. Membros de moto clubes e não membros
passaram a competir nas ruas da cidade consumindo
quantidades maciças de cerveja. A algazarra produziu
pequenos incidentes, entre eles dano ao patrimônio e ultraje
público ao pudor, mas nada parecido com “um cerco à cidade”,
como a revista Life noticiou.
A dúvida sobre o que realmente aconteceu em
Hollister reside no fato de que a maior parte das pessoas
que viveram aquele final de semana já faleceu. Na ausência
de testemunha ocular, as opiniões se tornam contestáveis e
talvez a verdade nunca apareça. As reportagens da época
retratam Hollister como uma cidade tipicamente interiorana
que foi abalada pela chegada de motoqueiros arruaceiros que
fizeram da cidade um pandemônio, no entanto, há registros de
que Hollister já havia abrigado outras corridas de
motociclietas, inclusive a própria Gypsy Tour em 1936. Com
isso, pode-se afirmar que a cidade calma que as reportagens
apregoavam não é verdadeira e deve ser descartada como fonte
primária. É certo que uma verdade aconteceu em Hollister, a
sua incapacidade de abrigar a legião de motociclistas
que se dirigiram àquela cidade em 1997 para comemorar o
aniversário de 50 anos do incidente. |
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“Explicando o incidente de Hollister...”
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O mito de 4 de julho de 1947 em Hollister
pode ser atribuído a único fato. De acordo com alguns
relatos, Barney Peterson, um fotógrafo do San Francisco
Chronicle, publicou a foto de um motociclista bêbedo
equilibrando-se precariamente sobre uma motocicleta
Harley-Davidson, cercado por cascos de cerveja
quebrados, segurando uma cerveja em cada mão com a seguinte
manchete: |
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“E
ASSIM A AMÉRICA” (and
thus, America’s). O San Francisco.
Chronicle exagerou na licença
literária para o relato do caso.
Resumindo, o artigo afirmava
que motociclistas realizavam
competições em todas as ruas,
assim como andavam com suas motocicletas dentro de
bares e restaurantes. Para descrever este episódio a
revista utilizou palavras como
“terrorismo” e “pandemônio”.
Também afirmavam que as mulheres que acompanhavam
os motociclistas eram qualquer
coisa, menos senhoritas
americanas.
O artigo serviu para insuflar os ânimos na região e logo apareceram os
primeiros desentendimentos com resultado morte.
A revista Life, em 21 de julho de 1947,
aproveitando o momento, publicou um artigo usando a mesma
foto do motociclista bêbado com o seguinte título: “Ele e
os seus amigos aterrorizam a cidade” (Cyclist’s Holiday: He
and Friends Terrorize Town). O artigo afirma que quatro
mil membros de um moto clube eram responsáveis pelo tumulto.
Sabemos que foi um exagero espetacular. De acordo com a
maioria das estimativas nenhum moto clube pode se vangloriar
de ter conseguido juntar, pelo menos, a metade desse número,
ainda mais naquela época. |
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“A origem dos Moto Clubes 1% e outras mumunhas mais... ”
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O artigo com meras 115 palavras colocado logo abaixo
de uma imagem gigantesca de um motociclista aparentemente
bêbedo causou tumulto por todo país. Alguns autores
afirmaram que o AMA liberou para imprensa uma nota que
desmentia a sua participação no evento de Hollister e
indicava que 99% dos motociclistas eram pessoas de bem,
cidadãos cumpridores da lei, e que os clubes de
motociclistas da AMA não estiveram envolvidos na baderna.
Entretanto, a associação americana do motociclista não tem
nenhum registro de tal nota. Tom Lindsay, diretor da
informação pública do AMA, em nota declarou que “nós [AMA]
reconhecemos que o termo 1% há muito tempo é atribuído a AMA
(e provavelmente continuará a ser), mas em nenhum momento
conseguimos identificar em nossos registros esta citação ou
a indicação de que a AMA tenha publicado, por isso
acreditamos que sua criação seja apócrifa.”
A revista Life publicou comentário de pelo
menos de três pessoas, um delas era Paul Brokaw, um editor
proeminente de um periódico chamado Motorcyclist. Brokaw
castigou a Revista Life considerando a imagem publicada
totalmente descabida.
Parece prudente fornecer o teor inteiro da mensagem de
Brokaw, ao editor da Life:
Senhores,
As palavras mal servem para expressar meu choque em
descobrir que o retrato do motociclista [veja The Life julho
21, 1947:31] foi obviamente preparado e publicado por um
fotógrafo interesseiro e sem escrúpulos.
Nós reconhecemos, lamentavelmente, que houve uma desordem em
Hollister - não ato de 4.000 motociclistas, mas de um por
cento desse número, ajudada por um grupo de não
motociclistas e apostadores. Nós, de forma alguma, estamos
defendendo os culpados - de fato é necessária uma ação
drástica para evitar o retorno de tais comportamentos.
Entretanto, vocês devem entender que a apresentação dessa
foto macula, inevitavelmente, o caráter de 10.000 homens e
mulheres inocentes, respeitáveis, cumpridores das leis e que
são os representantes verdadeiros de um esporte admirável.
Paul Brokaw
Editor, Motorcyclist
Los Angeles, Calf. |
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Na carta
acima, Brokaw indica claramente que os acontecimentos
ocorridos em Hollister têm como origem pessoas anônimas. É
importante frisar que Brokaw não indica quem são essas
pessoas, mas de certa forma fala em nome da AMA.
Interessante, Brokaw declara que nenhuma ilegalidade
ocorridas em Hollister foi realizado pelos 4.000
motociclista, “mas um por cento desse número.” Parece
lógico, na ausência de uma nota real da AMA sobre o assunto,
que esta carta tenha sido a origem do termo “um por cento.”
Uma outra carta publicada na mesma edição da
Life, escrita por Charles A. Addams, define como sendo
ilusória a idéia de que a metade da população do
motociclista de Hollister eram membros da AMA. De acordo com
Addams, “os quatro mil ‘motociclistas’ não eram todos os
membros de um clube. Da AMA estavam presentes
aproximadamente 50% do total e os outros 50% era
motociclistas comuns que estavam aproveitando os três dias
de feriado. Apenas cerca de 500 ‘motociclistas' eram os
responsáveis pelo desastroso evento de Hollister.” Quando
combinadas, as cartas de Addams e Brokaw explicam o motivo
que muitos afirmam que a AMA seja a dona da afirmação “um
por cento”. Em carta a revista Life, Addams estabelece a
possibilidade de uma considerável presença da AMA no evento
e Brokaw parece estar falando em nome de uma organização em
que o motociclismo é um estilo de vida. Assim, parece lógico
concluir que estas duas cartas ao editor da revista Life
sejam a origens do mito “um por cento” e da condenação da
AMA. Observe que Brokaw, em sua carta, não fala claramente
em nome de do AMA, mas ao longo do tempo as pessoas passaram
a interpretar como tal.
Enquanto os motociclistas comuns e as
moto-organizações estavam tentando se distanciar do ocorrido
em Hollister, clubes tais como o Boozefighters buscaram se
enquadrar a ele. Assim, temos que o evento de Hollister de
1947 foi o fomento que falta para a consolidação dos moto
clubes não alinhados a AMA, ou seja, os “Outlaw Motorcycle
Clubs”. Deve-se deixar claro que estes clubes nunca
pertenceram a AMA, logo não foram banidos ou coisa parecida.
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“A difusão dos Outlaws Motorcycles Clubs e o conflito do Vietnam...”
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Entre 1948 e princípios dos anos 60 os clubes de
motociclistas (não aliados a AMA) se
espalharam para fora da Califórnia estabelecendo um novo
capítulo na história do motociclismo nos Estados Unidos.
Outlaws Motorcycle Clubs tais como os Sons of Silence
Motorcycle Club, surgiram no meio oeste, os Bandidos
Motorcycle Club no Texas, os Pagans Motorcycle Club na
Pennsylvania entre outros. Durante este período, vários
membros do Pissed Off Bastards of Bloomington saíram do seu
clube e formaram a primeira versão dos Hells Angels
Motorcycle Club (HAMC). Igualmente, durante este período, os
Boozefighters, um dos Outlaws Motorcycle Clubs originais,
começou um declínio rápido no número de membros.
O conflito do Vietnam (1958-1975) pode ser
visto como um dos fatos mais recentes que contribuíram para
o aumento dos Outlaws Motorcycle Clubs. Se o retorno dos
veteranos da 2ª guerra foi um fator que auxiliou na formação
desses moto clubes, o conflito do Vietnam foi à pólvora que
faltava. Veteranos desse conflito afirmaram que se sentiam
humilhados pela população em geral. Chegaram a ser rotulados
de “assassinos bebês”. Alguns foram cuspidos e xingados nos
aeroportos e, não poucas vezes, foram recusados em bons
empregos, isso tudo após “ter feito seu dever” para com seu
país.
Considerando que os recrutas de 2ª guerra
tinham em média 26 anos, os recrutas do Vietnam eram
adolescentes mal saídos da puberdade. Eram convocados aos 19
anos. Com essa idade já haviam experimentado um dos
conflitos armados mais sangrentos na história americana.
Iguais aos veteranos da segunda guerra mundial, os meninos
do Vietnam viveram o fogo do inferno da guerra. Viram a
morte, matando e sendo ferido. Estes homens seriam mudados
para sempre.
Sua inocência foi chamuscada em sua origem. Suas
personalidades pré-guerra foram carbonizadas e o pó foi
varrido para baixo do tapete. |
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“Os Moto Clubes 1% e a ascensão dos Hells Angels M.C....”
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É
nesse caldeirão fervilhante que surgem os moto clubes
1%. Eles emergem em uma escala nacional tendo como suporte o
surgimento dos Outlaw Motorcycle Clubs. Para
concretizar este nascimento, os clubes dominantes da época
foram além. Observando a declaração atribuída a AMA,
buscaram para si a responsabilidade de fazer parte daquele
1% que foi apontado em Hollister. Assim, criaram uma
organização sem regras explícitas, não alinhados a AMA, ou
seja, assumidamente Outlaw Motorcycle Club e passaram
a se identificar por meio de um emblema em forma de diamante
com a inscrição 1%. Concordaram também em estabelecer
limites geográficos ao qual cada clube de motocicleta teria
autonomia. |
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Um ponto
significativo na evolução dos moto clubes 1% se evidenciou
no verão de 1964 na Califórnia. Nesta época, dois membros do Oakland Hells Angels Motorcycle
Club foram presos e acusados de terem estuprado duas
mulheres em Monterey, no entanto, pouco tempo depois foram
liberados, devido insuficiência de provas. Esse episódio foi
à desculpa que faltava para que o governo do estado da
Califórnia voltasse os olhos para os outlaw motorcycle clubs.
O Senador Fred Farr exigiu uma investigação imediata sobre
os estas organizações, encargo que ficou sob a
responsabilidade do general Thomas C. Lynch. |
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Duas semanas mais tarde iniciaram-se as
investigações. No ano seguinte, o General Lynch liberou ao
público um relatório que esmiuçava as atividades dos outlaw motorcycle clubs tais como os Hells
Angels. O relatório de Lynch pode ser considerado como a
primeira tentativa de se classificar os clubes de
motocicleta como um perigo para a comunidade e para o
estado, entretanto, se resumiu em inferir que estas
organizações possivelmente cometiam crimes como sedução de
jovens inocentes, estupro e pilhagem de pequenas cidades. O
relatório foi largamente contestado, até mesmo dentro das
organizações do estado.
A imprensa, no entanto, percebendo que a
história dos Outlaw Motorcycle Clubs vendia bem, passou a
publicar diuturnamente o lado negativo dessa organização.
Talvez Andrew Syder seja o que melhor esboçou o efeito do
relatório de Lynch. Segundo ele, o relatório moldou o
conceito de moto clube na opinião do cidadão americano e não
foi de forma positiva.
Essa afirmação pode ser compreendida quando
se observa os noticiários da época. |
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The New York Times: “Califórnia cria medidas para inibir baderna
motociclistas” 16 de Março 1965,
The Los Angeles Times: “Hell's Angels - Ameaça sobre Rodas”
16 de Março 1965,
Time: “Selvagens” 26 de Março 1965,
Newsweek: “Selvagens?” 29 de Março 1965,
The Nation: “Gang de motocicletas: Derrotados e esquisitos”
17 de Maio 1965,
The New York
Times: “10.000 na baderna de New Hampshire” 20 de Junho
1965,
Life: “Chega a Desordem” 2 de Julho 1965,
Newsweek: “Motociclistas Palhaços,” 5 de Julho 1965,
The Saturday Evening Post: “The Hell's Angels” 20 de
Novembro 1965.
Matéria extraída da Internet nos endereços:
http://www.gamamc.com/gama_arquivos/motoclub/histmc1.html
http://www.gamamc.com/gama_arquivos/motoclub/histmc6.html
http://ijms.nova.edu/November2005/IJMS_Artcl.Dulaney.html
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